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segunda-feira, maio 25, 2009

Amarras


Um amigo me falou que precisava se libertar das amarras do pessimismo e se permitir expressar-se, então fiquei pensando nisso, libertar-se das amarras, mentalmente, filosóficamente e porque não fisicamente também.
No nosso cotidiano estamos presos, enclausurados por nossos medos, sem poder lutar contra esse jugo fatídico que nos ameaça intermitantemente a cada vez mais ficarmos enquadrados, etiquetados.
Precisamos nos soltar dessas amarras, vigiar nossas próprias escolhas, precisamos? É nossa escolha soltarmo-nos dessa clausura? Enclausurados estamos dentro de nós mesmos, presos por sentimentos fortes demais para que sejam confrontados por meros humanos como nós, etiquetados, embalados. Somos meros humanos, fracos demais para a grande batalha: sair de nossa própria sombra, fugir do jugo da mediocridade, da satisfação.
Não estamos orgulhosos demais para admitir nossa própria fragilidade? Admitir que somos apenas um ponto na evolução? Homo sapiens.
A clausura está no ar que respiramos, nas amarras que nos auto-inflingimos.
Usamos amarras para não nos machucar, para nos esconder, esconder quem realmente somos, inclusive de nós mesmos.
Amarramo-nos tão fortemente que mesmo usando de força as cordas não sedem um centímetro, muito ao contrário, elas apertam mais ainda, por medo de sermos soltos de vez.
Amarramo-nos tão ferosmente que nem mesmo a alma mais hercúlea poderia mover-nos o sentimento de autoproteção.
Amarramo-nos tão ingenuamente que não notamos que não adianta fazer força para lutar, não adianta gritar, morder... somos nós nossos piores carcereiros, nossas prisões.
Amarramo-nos tão gentilmente que não notamos as marcas na pele, nem mesmo as cordas que nos prendem. E nem mesmo assim somos capazes de escolha, de atirarmo-nos em determinada direção. Não somos capazes de enxergar que nossas amarras são mera ilusão, mero contentamento com o que sentimos sobre nós mesmos.

R.G.Pfarrius

Um grande agradecimento ao Diego que foi quem originou a idéia desse texto!

3 comentários:

Alice do país das maravilhas. disse...

o exercicio de auto libertacao ainda é uma aventura.
adorei.

Silvana Bronze disse...

Ai Rapha, que bom te encontrar aki no mundo blogueiro!!!
Vou tirar um tempo com mais calma para ler os teus escritos que sei, e sei mesmo, que são muito bons.

Sofia! disse...

Teu blog também és muito bom, e teus textos me fizeram refletir muito sobre o que vivo agora. Nosso corpo é uma espécie de escafandro, pesado, naufragado ao fundo de um mar de inseguranças; e nossa pobre alma, seria como uma leve e delicada borboleta, que luta com toda a sua força para sair dalí, livrar-se de todas as etiquetas que lhe foram dadas.

Um grande abraço, e continue assim! ;)

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